Freguesia de Penacova - Penacova
  
                               
A tradição oral cumpre uma função fundamental no processo de aculturação, a que todo o ser humano se sujeita, desde o dia em que nasceu. Porque na Historia de uma comunidade são muitos os acontecimentos que deixam marcar para a posteridade, não admira que, ao longo dos anos, se tenham discorrido numerosas lendas e contos populares acerca dos mesmos, como forma criativa de transmitir os costumes , as tradições e as crenças comuns às gerações vindouras.
 
As bruxas no Reconquilho (por Martins da Costa, arquitecto)
No tempo em que o Mondego era sulcado por grandes barcos serranos que transportavam produtos destinados ao comercio desde Porto da Raiva até Figueira da Foz, reza a tradição que um grupo de bruxas desatracou um barco e viajou até a India, numa só noite de luar.
As bruxas eram membros da comunidade que auferiam de direitos especiais, uma vez que, cair em desgraça só por causa de um mal olhado ou de alguma mezinha preparada por elas, envolta em rezas e defumadouros, era destino que ninguém ambicionava.
Ora o Reconquilho, curva do rio Mondego bem conhecida dos Penacovenses, era um dos locais habitualmente frequentado por estas “mulheres de virtude”, como também eram conhecidas. Um pouco mais adiante, existia (e ainda lá esta para pernoitar esta lenda) uma velha casa, ponto de referencia obrigatório, mencionando como “Casa da Bruxa”, onde também os barqueiros costumavam pernoitar.
Pelo que se conta, certa noite, uma das barcas foi desamarrada com todas as cautelas e, com artes de bruxedo, foi dirigida até a Índia distante, onde as bruxas tinham encontro marcado. A bordo da barca, ignorado, seguia também o barqueiro que, nessa noite especial, dormia na proa e que só acordou quando estava em alto mar. Cheio de medo, não manifestou a sua presença e, no seu cantinho, assistiu a todo o espectáculo. De volta ao Reconquilho, com o mesmo cuidado da noite anterior, as bruxas deixaram a barca amarrada no mesmo sitio.
No dia seguinte, o barqueiro tentou contar o sucedido aos habitantes, mas ninguém parecia acreditar nele até que o mesmo comprovou o sucedido com um lindo ramo de flores (inexistente na região) que, as escondidas, havia apanhado junto a praia, onde as bruxas tinham bailado de uma forma tão fantástica jamais vista.
Porque foi ameaçado de morte, nunca o barqueiro revelou o nome das participantes em tais actos. Contudo, entre dentes, muitas mulheres passaram a ser encaradas como bruxas pela forma isolada como viviam e, sobretudo, pelo fogo que transmitiam no seu olhar. Com efeito, só quem soubesse dominar as artes magicas conseguiria, numa noite, fazer uma viagem de ida e volta a Índia, numa barca serrana.
(No dia que o grupo Folclórico local organizou o seu primeiro festival, foi narrada esta lenda e entregue aos grupos participantes um cesto de flores, em cujo arco, servia de laço a fita comemorativa com dizeres: “O Mondego da Serra Foz”)
 
Lenda do Mondego
Foi um dia o Mondego
 Todo jovem, todo ledo
Coimbra a estudar
 Levou os livros no intento
De passar bem um momento
Se tivesse de parar.
Longa via já andada
Toda a roupa ensopada
No suor do corpo seu,
 Ali, na falda da serra.
Deitou os livros em Terra
E à fadiga se rendeu
Lá no céu, meigo luar
Já cuidara em pratear
As negras cristas dos montes
E o Mondego já tremia
 Do medo que então sentia
 Do rumor surdo das fontes.
Temeroso ajoelhou
E de mãos postas rezou
Ao Senhor de quanto havia
Que, do céu prestes mandasse
Um anjo que lhe falasse
E fizesse companhia.
E o Senhor atento ouvia
E depois pena sentia
Do seu amargo pena…
Seu pedido despachou
E um, anjo prestes m andou,
 Num raio do seu luar.
E nessa noite distante~Jovem Mondego estudante
Dormia naquela cova, Dos livros, fez livraria,
De pena, fez alegria,
De cova fez PENACOVA!
E o anjo da caridade
Todo amor, todo bondade,
Todo puro e sem labéu,
Em sua visão infinda
Achou a terra tão linda
Que tão mais voltou ao céu!
E quando um beijo de amor
Quis dar ao seu protector
No momento de partir,
0 anjo toma-se astro
E sobe ao Monte do Castro
 E a meio põe a sorrir.
Não posso subir ao monte
Para pôr na tua fronte
O meu beijo apaixonado?!
Ficarei aqui ao fundo
Enquanto o mundo for mundo
Dizendo: Muito obrigado.
E a promessa do Mondego
Todo jovem, todo ledo,
Foi promessa de valor. 
Sabe a gente velha e nova
 Que o rio de Pena cova
Nunca mais se fez Doutor!!!
 
Gondelim e a Lenda da Senhora da Moita
Existe na povoação de Gondelim, situada a 13 quilómetros de Penacova, uma Capela que mais parece uma Igreja, dadas as suas dimensões. É dedicada a Nossa Senhora da Moita, havendo a seu respeito curiosas lendas, entre as quais a que se segue:
“Reza a lenda que Nossa Senhora da Moita fora escondida pelos cristãos, com medo que os Bárbaros a profanassem durante as suas invasões, juntamente com o sino e uma campainha.
Passado muitos anos, após os Bárbaros terem deixado o actual lugar de Gondelim, os que esconderam morreram esquecendo-se do sitio onde a tinham colocado.
Após o restauro do lugar, já possuído pelos nossos e tendo o actual nome – Gondelim – ninguém sabia onde tinham escondido a Santa imagem. Talvez até já estivesse no esquecimento de muitos.
Mas a Santa quis revelar ao seu povo o lugar onde se encontrava escondida, já há séculos, mantendo-se oculta dos Bárbaros.
Tudo se passou numa manhã de Primavera, numa semana da Páscoa, mais concretamente numa quarta-feira de ano incerto. Ouviu-se um sino tocar. O povo ficou espantado pois não havia sino senão dali a uma légua e era difícil ouvir-se tão longe e muito menos com tanta clareza.
As pessoas, cada vez mais indignadas, ouviram novamente o toque do sino, não entendendo o que poderia ser.
Terceira vez tocou o sino, então já importunados, entram pela espessura de um emorme silveiral ou moita, onde até então ninguém tinha entrado. É lá que é descoberta a pérola mais preciosa: a imagem da Virgem Maria com o seu amado filho nos braços, metidos num vão de um carvalho que lhe servia de trono alumiada por dois círios e com um sino ao pé.
Trouxeram-na em procissão pela aldeia e ficou na melhor casa do lugar, onde era adorada dia e noite.
A notícia espalhou-se por todos os lugares vizinhos.
Em honra da Santa, foi feita uma emida e lá foi colocada a sua imagem. No dia seguinte, e após ter-se ouvido um terceiro  toque de sino era achada na moita. Importunados os aldeões, pediram à milagrosa imagem que lhes desse um sinal do que queriaa. Então a Senhora mostrou-lhes, junto ao sitio onde fora encontrada, os alicerces abertos por mistério dos Anjos.
Concluída a emida colocaram lá a Santa imagem. Passando pouco tempo as portas da emida, que se encontravam fechadas, no dia seguinte, estavam abertas. Isto repetiu-se durante vários dias. Então, mais uma vez, os moradores pediram-lhe uma explicação. Pouco tempo volvido, apareceram dois olhais nas paredes. O povo percebeu então que ela queria que a vissem mesmo com a porta fechada.
Até quase aos nossos dias, esta imagem nunca fora pintada. O seu rosto é tão belo que nem parece obra dos homens.”
 
Lenda do Penedo da Moura
Conta-se que no sitio que hoje, é o mirante de Emidio da Silva, existiu uma moura encantada. Diz-se que, em dias de sol, se vinha pentear nos penhascos. Que ela lá vivia não restam dúvidas pois, em certos dias, quem por ali passasse podia sentir o cheiro a fritos e a chá.
 
Dança e Cantares
De acordo com documentos antigos, recuperaram-se alguns trages de trabalho:
 
Traje do Barqueiro do Mondego
O barqueiro do Mondego trajava barrete preto, ceroulas de linho grosseiro até o joelho, camisa do mesmo tecido, cinta preta, bem enrolada, sem pontas caídas e um colete almofadado para não ferir o peito. Trabalhava sempre descalço, no entanto no caminho calçava uns tamancos de sola de pau.
Este barqueiro faziam-se acompanhar de vara para guiar a serena; e pá da barca para tirar agua de dentro da mesma; um saco de linhagem (o antigo capote dos pobres) que o defendia da chuva e do frio, assim como o protegia quando tinha que fazer alguma descarga na barca; e uma corda ao ombro, com a qual puxava a barca à sirga (enrolava acorda a cinta e, à frente dela puxava a contra a corrente.
 
Traje de Lavadeira
As lavadeiras de Pocariça usavam chapéu preto de aba larga, lenço regional (de pontas caídas sobre a blusa), blusa branca, colete preto de ilhós, saia com bastante roda (com a abertura do lado direito, para lhe cortar a roda à frente e Facilita o trabalho), avental , por baixo, saia branca de tira bordada. Nos pés traziam chinela preta.
Acompanhavam estas mulheres bacias de cobre que, sobre as rodilhas, tentavam equilibrar â cabeça.


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